Denúncias de assédio em São José dos Campos revelam abusos, constrangimentos e ambiente hostil às mulheres  

Denúncias de assédio em São José dos Campos revelam abusos, constrangimentos e ambiente hostil às mulheres   

Sintunesp apoia vítimas, cobra apuração rigorosa e punição dos culpados

O campus da Unesp em São José dos Campos entrou em ebulição nos últimos dias, após virem à tona denúncias de uma estudante, de que teria sido vítima de estupro no início da graduação, em 2023. Em vídeo, ela relata o constrangimento e os profundos impactos emocionais sofridos, que perduram até hoje, e que a impediram de denunciar o fato à época.

Após o relato da estudante, outras denúncias surgiram, sobre fatos antigos e recentes.

Segundo informações divulgadas na imprensa, a Unesp afastou dois docentes e instaurou dois Processos de Apuração Preliminar desde o dia 30/4 para investigar os casos registrados.

No dia 4/5/2026, estudantes saíram às ruas de SJC, em trajes de luto, empunhando cartazes e entoando palavras de ordem contra a violência sexual e de cobrança sobre a instituição: “Assédio aqui não!”, “Estuprador não pode ser professor!”.

No dia seguinte, realizaram uma grande assembleia, que contou com a presença de representantes do Sintunesp. “Manifestamos nosso repúdio e levamos nossa solidariedade à estudante que fez a denúncia, colocando nossa entidade junto na luta contra todas as formas de assédio, que afetam majoritariamente as mulheres”, frisou Alberto de Souza, coordenador político do Sindicato, presente na assembleia.

A assembleia aprovou um conjunto de 12 reivindicações, que estão sendo encaminhadas à direção local, com pedido de reunião urgente.

“Sabemos que são muitos casos, que há mulheres dos três segmentos sendo assediadas, e que tornar isso público é o primeiro passo para exigir apuração e punição dos culpados”, pontua Beatriz Galvão Nogueira, da diretoria do Sintunesp e ex-servidora no campus de SJC, atualmente em Guaratinguetá. Ela vê um quadro preocupante que, certamente, não é exclusivo de SJC: “Os assediadores aproveitam-se da inexperiência das alunas, a maioria longe de suas famílias, sem rede de apoio. As vítimas são questionadas quanto à veracidade dos relatos, julgadas pelo seu comportamento e desencorajadas de seguir com as denúncias. Funcionárias técnico-administrativas comumente são transferidas, continuam sendo ameaçadas e adoecem. Mulheres docentes têm dificuldade de denunciar devido à proximidade e hierarquia dentro dos departamentos.”

Beatriz também reclama que não se prioriza a segurança dentro dos campi. Mesmo itens como câmeras, que demandariam recursos acessíveis, não são adquiridos. Ela cita como exemplo a situação do Colégio Técnico Industrial de Guaratinguetá (CTIG), que atende alunos adolescentes do Ensino Médio, que deveria contar com ampla estrutura de monitoramento. “Estão esperando acontecer algo mais grave para avaliar a necessidade?”, questiona.

O que o Sintunesp defende

Para além de meras notas de repúdio, o Sintunesp soma-se a todas e a todos que desejam combater qualquer tipo de assédio e, em especial, as formas de violência que atingem as mulheres.

Sem apuração e punição dos culpados, o machismo e a agressão contra as mulheres tornam-se cada vez mais fatos banais. Agressores sentem-se estimulados a agir, certos da impunidade.

É preciso que a campanha “Unesp sem assédio”, deflagrada pela reitoria, em que pesem as boas intenções, torne-se mais efetiva. Em paralelo às campanhas e iniciativas educativas, fundamentais para romper o machismo e a misoginia estruturais, é preciso que a Universidade instaure processos imparciais e efetivos. As denúncias precisam ser investigadas, com o pleno direito à defesa e dentro dos procedimentos legais, e os culpados punidos.

ASSÉDIO SEXUAL É CRIME!

APURAÇÃO E PUNIÇÃO DOS CULPADOS!

ACOLHIMENTO E PROTEÇÃO ÀS VÍTIMAS!

 


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