Sindicatos discutem termos de final de greve com reitoria. Garantia de reposição de atividades, sem prejuízo de nenhum segmento, é ponto consensual

Sindicatos discutem termos de final de greve com reitoria. Garantia de reposição de atividades, sem prejuízo de nenhum segmento, é ponto consensual

Mesa permanente de acompanhamento do retorno deve se reunir em meados de agosto. Extensão de contratos de substitutos de cinco meses já está prevista onde houver necessidade. Gabinete de crise e financiamento também foram discutidos

A pedido da Adunesp e do Sintunesp, a reitoria agendou reunião para a tarde de 6/7/2026, com o objetivo principal de discutir o cenário de encerramento da greve de servidores docentes e técnico-administrativos, estabelecendo termos para um acordo final entre as partes, que garantam condições adequadas para o retorno ao trabalho e tranquilidade à comunidade acadêmica. A reitora, professora Maysa Furlan, estava acompanhada de seu chefe de gabinete, professor Marcelo dos Santos Pereira. Pelo Sintunesp, Alberto de Souza, Claudio Roberto Ferreira Martins, Beatriz Galvão Nogueira e João Carlos Camargo de Oliveira. Pela Adunesp, João da Costa Chaves Júnior, Milton Vieira do Prado Júnior e Rafael Henrique Teixeira da Silva.

A reitora destacou que tem conversado com as direções de unidades e que a orientação geral é pela reorganização dos calendários acadêmicos onde houve greve, de modo a que os conteúdos e atividades sejam cumpridos e não haja prejuízos a nenhum segmento. Ela ponderou que pode haver situações diferentes em cada unidade, de acordo com a realidade local, mas que o princípio geral é esse. A informação vem ao encontro da defesa feita pelos representantes das entidades, de que as atividades didáticas de ensino, pesquisa e extensão sejam retomadas pelos docentes, de modo a garantir que não ocorram prejuízos acadêmicos, bem como o trabalho seja reposto pelos técnico-administrativos.

Diretores da Adunesp e do Sintunesp frisaram que não será aceita nenhuma forma de perseguição ou punição aos que lutam por seus direitos e pela educação pública.

Eles cobraram o estabelecimento de um termo de compromisso entre as partes. A reitora disse que se reunirá com os diretores nos próximos dias e encaminhará respostas às entidades na sequência.

Foi acordado o estabelecimento de uma mesa permanente com os três segmentos para acompanhamento do retorno ao trabalho e às atividades acadêmicas. Ficou pré-agendada uma primeira reunião na terceira semana de agosto. Antes disso, se houver alguma situação de emergência, as entidades sindicais acionarão a reitoria.

A preocupação com o fim do contrato dos docentes substitutos de cinco meses antes do cumprimento dos calendários letivos, apresentada anteriormente pela Adunesp, está solucionada. A reitora e o chefe de gabinete afirmaram que a prorrogação destes contratos já vem ocorrendo e que basta que a faculdade/departamento faça a solicitação, caso considere isso necessário. 

Outros pontos discutidos 

Gabinete de crise: As entidades expuseram à reitora as preocupações dos segmentos com o conteúdo da Portaria Runesp nº 52, de 26/5/2026, o chamado “gabinete de crise”. Na Plenária da Adunesp de 29/6/2026, inclusive, o tema foi amplamente discutido e a reivindicação da categoria é pela revogação da medida. Embora a reitora tivesse afirmado, em reunião anterior, que a iniciativa nada tem a ver com a greve e sim com medidas de combate ao assédio, o receio é que os termos da portaria possam abrir espaço para, futuramente, cercear o direito de greve, por exemplo.

A Adunesp entregou à reitora um parecer de sua assessoria jurídica sobre o assunto, reafirmando a posição de sua Plenária Estadual, e ela se comprometeu a analisá-lo.  

GT Reforma Tributária e financiamento: Adunesp e Sintunesp voltaram a cobrar da reitora, atualmente presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), o agendamento de uma primeira reunião do grupo de trabalho (GT) estabelecido entre as partes para estudar os impactos da reforma tributária sobre o financiamento de Unesp, Unicamp e USP. O GT foi criado em março, mas nada ocorreu até o momento. A professora Maysa se comprometeu a falar com os demais reitores no início de agosto para marcar a reunião.

Representantes da Adunesp também lembraram o compromisso assumido em reunião anterior, de que a reitora divulgue documento explicitando as ações do Cruesp em relação ao financiamento.

A reitora foi informada das iniciativas do Fórum das Seis em torno à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO-2027), em tramitação na Assembleia Legislativa. Uma das emendas apresentada por parlamentares a pedido do Fórum prevê a mudança dos parâmetros de financiamento para um percentual da Receita Tributária Líquida (RTL), em lugar do ICMS, que será progressivamente extinto nos próximos anos.

A professora Maysa disse que o Cruesp também está agindo na Alesp e aguarda o agendamento de uma reunião com o presidente da casa, deputado André do Prado (PL), para abordar questões ligadas ao financiamento. 

Pautas específicas: Ambas as entidades estão em processo de construção de suas pautas específicas e solicitaram da reitora o compromisso de agendamento de negociações. Ela disse que aguarda o protocolo dos respectivos documentos e sinalizou com a realização de reuniões a partir da segunda semana de agosto. 

Reuniões com o Fórum das Seis: Além das reuniões técnicas já acordadas para ocorrerem no segundo semestre, os representantes da Adunesp e do Sintunesp cobraram o agendamento de reuniões entre Fórum das Seis e Cruesp, para debate sobre os demais pontos da Pauta Unificada e sobre o comportamento do ICMS-QPE (o mês de junho/2026 superou a previsão do estado, o que pode sinalizar a retomada do crescimento da arrecadação, como historicamente ocorre no segundo semestre).

Ela se comprometeu a conversar com os demais reitores no início de agosto, após retornar de suas férias, para definir possíveis datas.

 

 


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