As palavras-chave nestas eleições: Direitos, serviços públicos, universidade, ciência, conhecimento e democracia

As palavras-chave nestas eleições: Direitos, serviços públicos, universidade, ciência, conhecimento e democracia

Sintunesp conclama as servidoras e os servidores à reflexão e à decisão de não aceitar nenhum direito a menos! 


O Brasil ferve às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Nas ruas, nas redes sociais, nos locais de trabalho e estudo, nos lares... o assunto central é a disputa eleitoral.

Não é intenção deste boletim indicar o voto. Ele é livre e secreto. Além disso, nosso Sindicato tem uma firme postura de independência e autonomia frente às gestões reitorais, a governos e partidos. Mas a Diretoria Colegiada da entidade considera que é seu dever, como órgão representativo da categoria, alertar para propostas já divulgadas, algumas delas mortais para a classe trabalhadora, para os serviços públicos e para a universidade, em especial.

Uma das candidaturas reivindica o legado do governo que dirigiu o país nos anos 2019-2022. Um governo que teve como eixo o ataque sistemático ao funcionalismo público e aos serviços prestados à população. Foi de sua autoria a LC 173/2020, que nos impôs quase dois anos de congelamento salarial, dos tempos aquisitivos e das contratações (a famosa “granada” no bolso dos servidores, como disse o então ministro Paulo Guedes). Foi nesse governo, também, que as universidades públicas e os órgãos de pesquisa sofreram profundos cortes. O negacionismo frente à ciência e à natureza levaram ao boicote das vacinas durante a pandemia de Covid-19 e à devastação sem precedentes nas florestas do país.

Uma das candidaturas já expôs a intenção de cortar R$ 200 bilhões nos gastos do governo, cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A receita para isso seria a desvinculação dos gastos constitucionais com saúde e educação, o fim do reajuste real do salário-mínimo e das aposentadorias (mantendo apenas a correção pela inflação), a diminuição dos programas sociais, uma nova reforma da Previdência, a reforma administrativa para cortar direitos do funcionalismo e ampliar a terceirização, entre outros. As medidas, que já foram apelidadas de “tesouraço”, seriam facilmente implantadas, considerando a composição do próximo Congresso Nacional.

Em várias entrevistas, como a concedida ao PodCast G4, em 30/9/2026, Daniella Marques, coordenadora da área econômica de uma das candidaturas, defendeu a substituição gradual de servidores públicos por inteligência artificial. “São 12,5 milhões de servidores públicos. A cada ano vai aposentando gente, e aí? Faz outro concurso pra gente pagar? As carreiras administrativas e operacionais podem ser substituídas no funcionalismo público a partir da inteligência artificial”, disse.

Para as universidades públicas, circulam propostas tenebrosas, como o fim dos concursos públicos e a terceirização completa dos serviços, o congelamento salarial até que se atinja “níveis dos salários de mercado”, o fim de qualquer processo de escolha de dirigentes e indicação exclusiva dos gestores pelo Poder Executivo, a revogação da lei de cotas, o leilão dos restaurantes universitários para a iniciativa privada, a cobrança de mensalidades, entre outras.

Os pontos de atenção citados acima não são abstratos. São medidas objetivas, que afetariam diretamente a vida da maioria da população. O Sintunesp conclama a categoria a refletir sobre eles antes de votar.

É fato que a nossa luta não terminará nas urnas em 25 de outubro! Diante de um Congresso de maioria da extrema-direita, será fundamental mantermos a mobilização da classe trabalhadora e da juventude, nas ruas, para seguir defendendo os nossos direitos, os serviços públicos, o meio ambiente, nossas enormes riquezas naturais, a democracia e a soberania do nosso país.

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