DESCASO E DESRESPEITO! Cruesp desmarca negociação um dia após violência policial contra estudantes da USP

DESCASO E DESRESPEITO! Cruesp desmarca negociação um dia após violência policial contra estudantes da USP   

Ato público dobra de tamanho em frente à reitoria da Unesp. Reitores agendam nova data para 14/5, 10h 

Na manhã de segunda-feira, 11/5/2026, data prevista para a realização da segunda negociação entre Fórum das Seis e Cruesp, as entidades sindicais e estudantis foram surpreendidas pela informação de que a reunião estava suspensa. No comunicado recebido, o Cruesp justificava: “A medida foi adotada de forma preventiva, visando preservar a integridade de todos os participantes e assegurar condições apropriadas para futuras tratativas institucionais, relativas à pauta unificada de reivindicações 2026 do Fórum das Seis”.

A justificativa causou estranheza ao Fórum das Seis, uma vez que as atividades promovidas vêm sendo pacíficas, em absoluto contraste com os fatos registrados na USP na madrugada do dia anterior, quando dezenas de policiais retiraram da reitoria, com grande truculência, os estudantes que a ocupavam pacificamente desde 7/5. Sem qualquer preocupação com a “integridade” dos estudantes, a PM bateu, jogou gás de pimenta e deixou vários feridos. Sobre isso, veja nota do Fórum e convite a abaixo-assinado neste boletim.

A súbita e unilateral decisão do Cruesp de cancelar a negociação poucas horas antes não impediu que um grande ato, bem maior que o de 4/5, quando houve a primeira negociação, ocupasse a Praça da República em 11/5, em frente à reitoria da Unesp. Nas três universidades, houve paralisações de estudantes, servidores/as técnico-administrativos/as e docentes.

Os/as representantes das entidades sindicais e estudantis que compõem o Fórum das Seis foram recebidos pela reitora da Unesp e atual presidente do Cruesp, Maysa Furlan, no início da tarde. O coordenador do Fórum e diretor da Adunesp, João Chaves, registrou a indignação das entidades e das categorias representadas diante da postura do Cruesp e reivindicou a imediata reabertura das negociações, com agendamento de nova data ainda para esta semana, tendo como objetivo seguir debatendo o reajuste salarial – inclusive para apresentar aos reitores os resultados das assembleias realizadas, que consideraram ínfimo o reajuste de 3,47% oferecido na primeira negociação – e as pautas do movimento estudantil. Vários/as representantes dos sindicatos e DCEs também fizeram uso da palavra, reforçando a urgência de debate de ambos os pontos.

A professora Maysa disse que já estava em contato com os outros dois reitores em busca de uma nova data ainda esta semana, e que levaria a eles a demanda do Fórum sobre os temas a serem debatidos: salários e permanência estudantil. Obs.: Na manhã de 12/5, a coordenação do Fórum das Seis foi contatada pelo Cruesp, informando o agendamento de nova negociação para 14/5, 10h.

Ato forte contra a violência na USP, por permanência e mais recursos para a educação pública

Caravanas das três universidades, com forte presença de estudantes de vários campi do interior e da capital, servidores técnico-administrativos e docentes, protagonizaram um ato ainda maior do que o realizado uma semana antes. Nas falas dos/as oradores/as, nas faixas e cartazes houve denúncias da truculência policial registrada na madrugada anterior na reitoria da USP, responsabilizando o reitor da Universidade e o governador do estado pelas cenas de barbárie. Também foi destacada a necessidade de unificar e fortalecer a bandeira de mais recursos para a educação pública, aí inserida a luta pela garantia de financiamento adequado para as universidades estaduais paulistas, que ganha especial importância frente às mudanças trazidas pela reforma tributária.

A presença de provocadores da extrema direita – vereadores da capital – repetiu o que vem ocorrendo com frequência nos campi da Unesp, Unicamp e USP. Ansiosos por mostrar ‘serviço’ em suas redes sociais, eles/elas revelam ostensivamente sua ignorância enquanto atacam a educação pública. O ato tornou-se mais vigoroso ainda, saindo em grande passeata pelas ruas da capital.

Atenção aos indicativos do Fórum: Ampliar a mobilização, debater a organização da greve

O Fórum das Seis indica às categorias que discutam o indicativo de greve geral, especialmente onde ainda não houve assembleia com essa pauta. O indicativo foi aprovado em várias das assembleias realizadas e, na Unicamp, servidores/as técnico-administrativos/as já entraram em greve no dia 11/5.

Caso as negociações não avancem, vamos parar nas três universidades.

QUEREMOS AVANÇAR NA REPOSIÇÃO DE PERDAS SALARIAIS, PERMANÊNCIA ESTUDANTIL, CONDIÇÕES DIGNAS DE TRABALHO E ESTUDO, GARANTIA DE FINANCIAMENTO ADEQUADO PARA A EDUCAÇÃO PÚBLICA!               

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